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A música e a vida

Domingo, 02.01.11

 

Hoje sobrevoei várias cenas do meu percurso com o Tiny Cities dos Sun Kil Moon. O álbum é recente, mas transporta-me sempre para esses dias cheios de sol, aquela claridade, aquela sensação de ausência de limites ou barreiras. É essa a magia da música. É muito visual e emocional. Por isso funciona tão bem em cinema.


Parece que este álbum foi inspirado numa travessia de Espanha. Há melodias que nos são familiares, talvez essa seja uma das razões. E depois há a viola, sempre presente. Desde criança que gosto de ouvir os trovadores modernos à viola, seja de que país forem. Cresci com estes sons, o dedilhar, e as vozes límpidas e poéticas. Há também uma tonalidade à anos 70, os anos da simplicidade original, voltar às origens, à rebeldia inicial.


Mesmo voltando à claridade única desses anos mágicos, em que senti pela primeira vez quem era, a minha identidade essencial, a minha energia vital, há sempre alguma coisa que mudou, que se reorganizou, que se reestruturou, uma espécie de suspiro quieto, e tudo volta ao equilíbrio, ao silêncio. É essa ligação que não podemos perder, à nossa síntese, a tudo o que permanece. A música vem lembrar-nos essa ligação. Quando a agitação exterior nos vier desestabilizar ou distrair, é a música que nos traz de volta ao essencial.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:52

Do Baú:

Sexta-feira, 27.03.09

 

                                        

 

                                          Um pouco de infinito

 

 

Por vezes perguntava-me porquê. Porquê aquele súbito entrever de um sentimento muito mais profudo, muito mais forte, mas tão fugidio, tão impenetrável! Vislumbrava-o apenas e já se esfumava, como se tivesse sido uma ilusão.

Mas não era. E eu sabia. Sentia-o ainda em mim, em todo o meu ser. Permanecia ainda a sensação de que algo de maravilhoso me penetrara, percorrera milhões de vezes a minha vida num segundo, nem tanto. E se fora.

Sentia ainda em mim a beleza desse momento vivo. Era como se tivesse compreendido de repente quem era, o que fazia ali, porque e como a vida se desenrolava entre tantas outras vidas, aparentemente desencontradas, aparentemente sem sentido. 

Parecia magia, mas não era! Era uma certeza tão sólida como todas as outras. Era como um elo entre mim e o universo, leve cumplicidade de ter encontrado, num relâmpago, o que me unia com o que até aí me parecera incongruente. 

Mas como explicar o que sentia nesses momentos? Como a linguagem é limitada! Mas como também é desnecessária!

Não sei agora, depois de tudo passar... É como se tivesse de novo regressado do infinito. Para de novo voltar.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:09








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